A Visão Pragmática
Conhecer a si mesmo é observar a própria história.
Reconhecer os medos.
Perceber os padrões.
Compreender as emoções.
Ver as máscaras.
Educar o ego.
Curar a criança interior.
Amadurecer.
É um conhecimento horizontal.
O personagem aprende sobre si mesmo.
Esse caminho é precioso.
Sem ele, repetimos os mesmos ciclos inconscientemente.

A Visão Contemplativa
Mas existe uma pergunta ainda mais profunda.
Quem percebe tudo isso?
Quem observa o medo?
Quem reconhece o ego?
Quem testemunha o pensamento?
Quem permanece quando todas as histórias mudam?
Conhecer a si mesmo torna-se, então, reconhecer a Presença que nunca deixou de estar aqui.
É um conhecimento vertical.
Não apenas conhecer o personagem.
Mas reconhecer o Ser.
O Encontro
As duas visões não competem.
Completam-se.
Sem a visão pragmática, a contemplação pode transformar-se em fuga da realidade.
Sem a visão contemplativa, o autoconhecimento pode reduzir-se a um aperfeiçoamento infinito do personagem.
Uma cura a história.
A outra revela a Fonte.
Uma amadurece o ego.
A outra recorda o Ser.
Quando caminham juntas, algo extraordinariamente simples acontece.
O personagem torna-se transparente.
O ego relaxa.
A criança confia.
E a Presença pode expressar-se através da própria vida.
Talvez seja esse o sentido mais profundo do antigo convite:
Conhece-te a ti mesmo.
Conhece o personagem.
Conhece a criança.
Conhece o ego.
Mas não pares aí.
Continua.
Até reconhecer Aquele que sempre esteve olhando através dos teus olhos.
Porque o autoconhecimento começa na história.
Mas encontra sua plenitude na Presença.

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