MOVIMENTO I: O VÉU

Quando o olhar está turvo, a realidade parece hostil, confusa, cheia de ameaças.

Mas o problema nunca esteve na realidade.

Esteve no véu que cobria o olhar.

Esse véu é o ego não examinado.

É a mente que julga sem ver.

É o coração que teme sem compreender.

MOVIMENTO II: A TRANSPARÊNCIA

Quando a mente aprende a distinguir — a ver o joio e o trigo, o ego e a Consciência, a ilusão e a realidade, o medo e o Amor —, o véu começa a cair.

E, quando o coração aprende a integrar — a acolher o que a mente distinguiu, a amar o que antes era rejeitado —, o véu dissolve-se.

O olhar torna-se transparente.

Já não projeta. Já não distorce. Apenas vê.

MOVIMENTO III: A MELODIA

E então algo belo acontece.

A realidade — que sempre foi a mesma — começa a ensinar.

Não porque tenha mudado, mas porque a atenção amadureceu o suficiente para a ouvir.

Cada encontro é uma lição.

Cada momento de silêncio é uma revelação.

Cada pequena coisa — a folha que cai, a chávena que aquece as mãos, o olhar de um estranho — sussurra verdades que antes eram gritos ignorados.

O ego, distraído, só ouvia o ruído.

A Consciência, atenta, ouve a melodia.

A realidade sempre foi mestra.

Só agora encontraste os ouvidos para a escutar.

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